Xi visita Casa Branca e pede a Trump relação 'sem conflito'
Recebido com pompa pelo presidente americano, Donald Trump, o chefe de Estado chinês, Xi Jinping, aproveitou sua visita à Casa Branca para defender uma coexistência pacífica entre Washington e Pequim, sem deixar de ressaltar os limites da China em relação a Taiwan.
Diante de um presidente americano que disse ter construído com ele uma relação de "grande amizade", o líder chinês manteve um tom mais sóbrio.
Xi Jinping pediu a seu par americano para "manter uma relação sem conflito, nem confronto" entre os dois países, durante uma declaração à imprensa.
"Nossas duas forças armadas devem manter um diálogo regular e melhorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises", propôs.
Xi pediu a Washington e Teerã que resolvam suas diferenças "o quanto antes" mediante a negociação, segundo declarações divulgadas pela agência estatal Xinhua enquanto os dois líderes se reuniam na Casa Branca.
A China, aliada do Irã, sofre com as repercussões do conflito desencadeado pelo magnata republicano, que provocou a disparada dos preço dos combustíveis.
O presidente chinês também fez uma advertência sobre o espinhoso tema de Taiwan, instando Washington a agir com "prudência" em relação à sua independência, segundo a mesma fonte.
A China reivindica esta ilha autônoma como parte de seu território, enquanto Washington apoia militarmente Taiwan, embora não a reconheça como Estado soberano.
A visita oficial culminou em um banquete que contou com a presença dos responsáveis por multinacionais americanas como Amazon, Meta, Apple, Google, Nvidia, Tesla e OpenAI.
Para Xi Jinping, Pequim e Washington têm "a capacidade e responsabilidade" de desenvolver a inteligência artificial (IA) sob "controle humano". Trump se mostra contrário ao pedido dos diretores das principais empresa de IA, como Anthropic e OpenAI, de criar um marco regulatório diante do avanço vertiginoso de suas próprias pesquisas.
- Onze anos depois -
Durante os brindes do banquete, Trump defendeu um "futuro de harmonia" para os dois países: "O presidente Xi e eu entendemos que representamos sistemas diferentes, mas que os laços entre nossos povos perduram."
No entorno da Casa Branca, centenas de manifestantes pediam "liberdade para o Tibete" e para os presos políticos chineses.
A última visita oficial de Xi e sua mulher a Washington havia sido em 2015. O casal foi recebido por Trump e a primeira-dama com tapete vermelho, ao som de uma banda militar.
Empenhando em dar um toque mais pessoal à visita, o republicano convidou o presidente chinês a admirar o amplo heliporto que mandou instalar na Casa Branca. Xi é "especialista em pedra, entre muitas outras coisas, e ele adora um bom granito", disse Trump, ao lado do convidado.
China e Estados Unidos decidiram prorrogar sua trégua comercial, após uma escalada de tarifas iniciada por Trump. A suspensão vai até 10 de janeiro, anunciou ontem o secretário do Tesouro americano, Scott Bessen.
A visita de Xi terminará na manhã desta sexta-feira, com um chá para os dois casais presidenciais e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde está guardada a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
O.Magdy--CdE