Courier de l'Égypte - Alemanha pede arquivamento de caso de genocidio apresentado pela Nicarágua na CIJ

Alemanha pede arquivamento de caso de genocidio apresentado pela Nicarágua na CIJ
Alemanha pede arquivamento de caso de genocidio apresentado pela Nicarágua na CIJ / foto: Remko de Waal - ANP/AFP

Alemanha pede arquivamento de caso de genocidio apresentado pela Nicarágua na CIJ

A Alemanha pediu nesta segunda-feira (7) à Corte Internacional de Justiça (CIJ) que arquive um processo apresentado contra o país pela Nicarágua, que a acusa de "facilitar um genocídio" em Gaza com seu apoio a Israel.

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O caso começou em 2024, após o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. A Nicarágua recorreu à CIJ para pedir que ordenasse medidas urgentes e obrigasse Berlim a interromper sua ajuda a Israel, em particular o fornecimento de material militar.

O tribunal rejeitou o pedido da Nicarágua em abril do mesmo ano, por considerar que as circunstâncias não justificavam medidas urgentes.

Mas o processo continua e agora a Alemanha pede o arquivamento.

Julia Monar, representante da Alemanha na CIJ, declarou que os juízes não têm competência para se pronunciar sobre o tema e rejeitou as acusações da Nicarágua.

"Pela primeira vez na história deste tribunal, pede-se que se pronunciem sobre uma questão que não tem nada a ver com uma controvérsia bilateral clássica", afirmou diante dos juízes do tribunal com sede em Haia, responsável por solucionar as controvérsias entre Estados.

"Nicarágua e Alemanha não estão diretamente envolvidas no conflito que constitui o verdadeiro objeto do presente caso, ou seja, o conflito israelense-palestino", acrescentou a representante.

Berlim menciona "exceções preliminares de incompetência da Corte e de inadmissibilidade de determinadas demandas" apresentadas pela Nicarágua.

"Nesta fase do procedimento, não cabe esperar que a Alemanha responda a estas alegações", declarou Julia Monar.

"No entanto, é obrigada a destacar que as declarações factuais da Nicarágua não são apenas irrelevantes (...) mas também apresentam uma imagem inexata e distorcida da situação", completou.

Durante as audiências de abril de 2024, a Nicarágua chamou de "patética" a postura da Alemanha, que fornece ajuda a Gaza, mas também entrega armas a Israel.

Todas as exportações alemãs de tecnologia e equipamentos militares para Israel estão sujeitas a "exigências rigorosas em matéria de autorizações, que vão além dos requisitos internacionais", insistiu Monar.

Ela destacou o "apoio inabalável da Alemanha à existência e à segurança do Estado de Israel", mas ressaltou que seu país é um dos maiores doadores bilaterais do mundo em favor dos Territórios Palestinos.

O tribunal organizará quatro dias de audiências no Palácio da Paz. A Nicarágua responderá à Alemanha na terça-feira e, posteriormente, os dois países terão a oportunidade de voltar a se dirigir à corte na quarta e na quinta-feira.

Em média, o tribunal leva seis meses para tomar uma decisão nesse tipo de caso.

As decisões da CIJ são vinculantes, mas a corte não tem poder para obrigar seu cumprimento.

N.Salem--CdE