Courier de l'Égypte - Benicio del Toro diz que seu personagem indicado ao Oscar tem 'muito' de si

Benicio del Toro diz que seu personagem indicado ao Oscar tem 'muito' de si
Benicio del Toro diz que seu personagem indicado ao Oscar tem 'muito' de si / foto: Frederic J. Brown - AFP/Arquivos

Benicio del Toro diz que seu personagem indicado ao Oscar tem 'muito' de si

Vinte e cinco anos após ganhar seu primeiro Oscar, Benicio del Toro volta a competir com seu personagem em "Uma Batalha Após A Outra": um treinador de karatê que, nas horas vagas, ajuda imigrantes e com quem o ator afirma se identificar.

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"Há muito de mim ali", disse Del Toro à AFP sobre o imperturbável Sensei Sergio St Carlos, que, com uma cadência tranquila, equilibra o turbilhão de nervos que é seu parceiro de cena, o ex-revolucionário Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio).

Benicio confessa que ficou surpreso com a efusividade em torno do papel, que, com menos de 15 minutos de cena, o colocou na disputa pelo Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

O porto-riquenho de 59 anos disputa na categoria com seu colega de elenco Sean Penn, além do sueco Stellan Skarsgard ("Valor Sentimental"), Jacob Elordi ("Frankenstein") e Delroy Lindo ("Pecadores").

"Uma Batalha Após A Outra", favorito para ganhar o Oscar de Melhor Filme com 13 indicações, acompanha o ex-revolucionário Ferguson, que tenta criar sua filha adolescente (Chase Infiniti) quando o passado volta para cobrar a conta.

O drama de pai e filha se desenrola em meio a atos insurgentes, batidas anti-imigração e complôs supremacistas, nos Estados Unidos contemporâneo, mas sem data precisa.

Del Toro reconhece que viu potencial no filme desde o começo, embora considerasse seus colegas "como os verdadeiros protagonistas".

"Fiquei surpreso quando, de repente, apontaram pra mim, eu não esperava. E... é uma sensação boa, mas também pode deixar você um pouco desconfortável", acrescentou.

Mas o ator diz se sentir orgulhoso por ser justamente este papel que "seja reconhecido pelo o que representa. De alguma forma, acredito que isto demonstra que há algo nele, há um coração ali, e acredito que é por isso que as pessoas se sentem atraídas por Sensei".

"Talvez seja isto que existe em um filme tão sombrio, que traz um pequeno sentido de esperança".

- "Muita força" -

Del Toro começou sua carreira na televisão. Após vários papéis menores, incluindo um de figurante no vídeo "La isla bonita" de Madonna, passou para o cinema.

Seu primeiro papel de destaque foi em "Os Suspeitos", em 1995, que o fez se destacar em Hollywood.

Em 2001, se consolidou ao ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por "Traffic", superando figuras como Willem Dafoe e Jeff Bridges.

Benicio interpretou um policial de fronteira que tenta se manter honesto em meio à corrupção e ao narcotráfico predominantes.

Foi indicado pela segunda vez em 2004 por sua participação em "21 Gramas".

Elogiado por diversos diretores como Steven Soderbergh, Alejandro González Iñárritu, Denis Villeneuve, Guy Ritchie e Wes Anderson, Del Toro concretizou sua segunda colaboração com Paul Thomas Anderson em "Uma Batalha Após A Outra", após "Vício Inerente" (2014).

O ator, cuja presença imponente contrasta com sua humildade e uma aparente relutância em ser o centro das atenções, abraçou o projeto justamente por se tratar de Anderson, o aclamado diretor que busca conquistar seu primeiro Oscar neste domingo (15), após 14 indicações em sua carreira.

Anderson disse que queria que ele interpretasse um treinador de karatê e lhe enviou uma foto de um tigre de kimono.

O ator descreveu Anderson como alguém que cria "um espaço confortável para a criatividade, para a colaboração".

Neste clima, a visão de Del Toro acabaria remodelando a atuação do Sensei e, consequentemente, o filme.

"Sensei o ajuda (a Bob) a ir do ponto A ao ponto C. Agora, o que acontece no meio do caminho, isso mudou um pouco", afirma.

"Ele se tornou mais um defensor para os necessitados, um protetor destes migrantes que buscam o sonho americano", conta Del Toro.

A atuação de seu personagem se destaca em um drama em que as fraquezas de revolucionários, militares e supremacistas vêm à tona, tornando-os cada vez mais egocêntricos.

Em uma cena o mestre faz com que o protagonista Bob, frenético e alienado, cumprimente sua família e alguns dos migrantes que ele está ajudando, cujas vidas também correm perigo.

"Eu senti isso com muita, muita força", diz Del Toro. "Senti que o tema precisava ser tratado com humanidade, com respeito".

Para ele, foi "uma honra" representar a comunidade latina e ser parte do elenco principal.

"Fizemos isso com o coração", afirma. "E acho que as pessoas entenderam isso".

G.Yassin--CdE