Courier de l'Égypte - Flávio Bolsonaro viaja para o Equador, procedente da Argentina, após fugir do Brasil

Flávio Bolsonaro viaja para o Equador, procedente da Argentina, após fugir do Brasil

Flávio Bolsonaro viaja para o Equador, procedente da Argentina, após fugir do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro viaja nesta quarta-feira (28) para o Equador, procedente da Argentina, para onde fugiu do Brasil após perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva, informou o governo argentino.

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O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra Lula. Ele era alvo de uma decisão judicial para não deixar o Brasil devido a uma investigação por lavagem de dinheiro.

Flávio, de 45 anos, atravessou a fronteira terrestre com a Argentina "com documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal", afirma um comunicado publicado na rede social X pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.

Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas embarcaram em seguida "em um voo privado, operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador", segundo a mesma fonte.

De acordo com veículos de imprensa americanos, que citaram fontes anônimas, Flávio Bolsonaro havia desembarcado na terça-feira nos Estados Unidos.

O governo do presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que concederia visto ao candidato derrotado e à sua família, segundo uma fonte de alto escalão do Departamento de Estado, que não revelou o paradeiro do senador.

O avião que leva Bolsonaro a Guayaquil decolou da cidade argentina de Puerto Iguazú, em Misiones (nordeste), pouco depois da meia-noite, segundo o site Flight Radar.

Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro disse que a Justiça - por meio de uma ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - o havia proibido de deixar o país em uma "tentativa de intimidá-lo".

O senador é investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras coisas.

- Passaportes cancelados -

Trump é aliado da família Bolsonaro e denunciou na segunda-feira que as eleições brasileiras haviam sido "fraudadas".

Uma fonte policial brasileira informou na terça-feira à AFP que os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, foram cancelados.

No entanto, ele possui cidadania italiana desde 2023, conforme consta em um documento de 2025 do Parlamento italiano consultado pela AFP.

Lula disse na terça-feira que não tinha "informações precisas" sobre uma fuga de seu adversário eleitoral, mas que isso seria "vergonhoso". Ele fez a declaração durante a comemoração de seu aniversário de 81 anos, em Brasília.

"O Brasil é a segunda pátria dele, a primeira pátria é lamber botas dos Estados Unidos", atacou o presidente reeleito.

As informações sobre a partida de Flávio Bolsonaro causaram perplexidade entre seus aliados.

"Não temos ainda notícia sobre seu paradeiro", disse a jornalistas em Brasília seu chefe de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

"Nós tentamos contatar o Flávio (...) e recebi por parte dele uma mensagem de texto onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele", acrescentou.

- 'Nunca pensei em sair do país' -

Ao denunciar, na segunda-feira, ter sido proibido de deixar o país, Flávio Bolsonaro descartou qualquer intenção de partir. "Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em vídeo. Afirmou, ainda, que pretendia liderar a oposição ao governo Lula.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado federal, está radicado nos Estados Unidos, onde atua como interlocutor junto ao governo Trump.

Eduardo disse, na semana passada, em um podcast americano, que era favorável a que seu irmão deixasse o Brasil caso não vencesse as eleições, por causa das investigações judiciais contra ele.

Após perder as eleições, Flávio Bolsonaro afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.

O presidente Lula venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após sair na frente no primeiro. Ele havia prometido que, caso vencesse, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar aplicar um golpe de Estado contra Lula após perder as eleições de 2022.

Jair Bolsonaro, que assim como seu filho também não reconheceu sua derrota eleitoral, partiu para os Estados Unidos na véspera da posse de Lula. Ele voltou ao Brasil três meses depois.

R.Zaki--CdE