Mais de 170 migrantes são resgatados ao tentar cruzar o Canal da Mancha
Barcos franceses e britânicos resgataram 173 migrantes nesta terça-feira (4) na costa de Boulogne-sur-Mer, no norte da França, depois que sua embarcação pegou fogo ao tentar atravessar o Canal da Mancha, informaram as autoridades locais.
"Uma pequena embarcação pegou fogo na fronteira entre as águas francesas e britânicas, o que levou seus ocupantes a pularem na água", na manhã desta terça-feira, detalhou a prefeitura de Pas-de-Calais, acrescentando que, até o momento, não houve vítimas.
Esta é uma das principais operações de resgate marítimo desde o início das travessias do Canal da Mancha a bordo de embarcações precárias, em 2018.
Inicialmente, as autoridades marítimas francesas haviam anunciado o resgate de 157 pessoas, mas elevaram o número para 173 no fim da tarde. Alguns migrantes sofreram queimaduras, escoriações ou contusões, mas nenhuma lesão grave, afirmou o responsável pelos serviços de resgate, Thierry Darras.
A embarcação havia partido na segunda-feira de Veules-les-Roses, no departamento de Sena Marítimo (norte), informou a Prefeitura Marítima do Canal da Mancha e do Mar do Norte (Prémar).
Na noite de segunda-feira, cinco passageiros "que precisavam ser resgatados" foram atendidos e desembarcaram em Boulogne-sur-Mer, explicou a Prémar em comunicado. Os demais tripulantes recusaram "a ajuda oferecida pelos meios franceses".
Na manhã desta terça, quando o barco se aproximava do Reino Unido, o motor pegou fogo e "a integridade da embarcação se degradou muito rapidamente", acrescentou.
Vários barcos foram então mobilizados, entre eles "embarcações e um bote salva-vidas britânico", afirmou um porta-voz da guarda costeira britânica.
Envoltos em mantas vermelhas, os sobreviventes desembarcaram em Boulogne-sur-Mer e depois foram encaminhados para ônibus fretados, constatou uma jornalista da AFP.
A associação de ajuda a exilados Utopia 56 assegurou à AFP que cerca de 50 mulheres e crianças que estavam a bordo chegaram à tarde a Calais, uma cidade no norte da França, sem dispor de alojamento de emergência.
Este resgate foi "um lembrete muito visível tanto da natureza perigosa destas travessias quanto da indiferença cega que os traficantes de pessoas têm pela vida nessas embarcações", disse o secretário de Justiça do Reino Unido, Alex Norris.
Pelo menos 15 pessoas morreram durante travessias clandestinas do Canal da Mancha em 2026, segundo uma contagem da AFP.
Z.Hatem--CdE